sexta-feira, 1 de agosto de 2008

As cinco pedras da funda de Davi - discurso I


Padre Antônio Vieira

Texto de 1673, originalmente editado por Alcir Pécora (VIEIRA, Antônio. Sermões. São Paulo: Hedra, 2001, tomo 2).


O que conduz a boas obras é o conhecimento de si por meio da alma, isto é, o conceito do que é próprio da pessoa como imagem, princípio e fim divinos participados nela. O alto conceito de si, pois, gera a excelência das obras terrenas.
À Sereníssima Rainha de Suécia Cristina Alexandra em Língua Italiana na Corte de Roma


legit quinque lapides limpidissimos de torrente[1]


I

A primeira pedra da funda de Davi atirada (ó Roma) à cabeça do Gigante, diz o nosso Purpurado Intérprete, que é o conhecimento de si mesmo. Cognitio sui. Grande pedra, e com razão a primeira; porque neste mundo racional do homem, o primeiro móbil de todas as nossas ações é o conhecimento de nós mesmos. As obras são filhas dos pensamentos; no pensamento se concebem, do pensamento nascem, com o pensamento se criam, se aumentam e se aperfeiçoam: e como os filhos recebem dos pais a natureza, o sangue e o apelido; assim se recebe do pensamento todo o bem grande e louvável, que resplandece nas obras. Daqui é, que querendo louvar Davi as obras maravilhosas de Deus, fez o panegírico aos seus pensamentos: Multa fecisti tu Domine Deus meus mirabilia tua; et cogitationibus tuis non est qui similis sit tibi[2]. Sendo pois os pensamentos, e conceitos na mente do homem tantos, e tão diversos, justamente se pode duvidar de qual, ou quais deles sejam filhas as obras. Todos comumente cuidam, que as obras são filhas do pensamento ou ideias, com que se concebem e conhecem as mesmas obras: eu digo que são filhas do pensamento e da ideia, com que cada um se concebe, e conhece a si mesmo.

A primeira coisa e a maior que jamais se obrou, não no mundo, senão antes do mundo, foi a geração eterna do Verbo: e como foi, não feita, mas produzida, uma obra tão grande, tão imensa, tão portentosa e incompreensível? Não de outra maneira que do conhecimento de si mesmo. Conheceu Deus o seu ser, a sua grandeza, a sua infinidade, a sua onipotência; e o parto que saiu deste imenso conceito de si mesmo, foi outro ele, outro mesmo; foi e é o Verbo tão grande, tão imenso, tão infinito, tão onipotente, tão Deus como o mesmo Pai. A imagem mais perfeita, a proporção mais ajustada, e medida mais igual da obra, é o conhecimento de si mesmo em quem a faz. Quando Apeles pintava Alexandre, tinha na mente a Alexandre; quando Alexandre conquistava o mundo, tinha na mente a si mesmo. Na ideia de Apeles cabia Alexandre em um quadro: na ideia de si mesmo não cabia Alexandre no mundo; por isso o conquistou todo.

Quando Davi se pôs em campo contra o Golias, Saul desconfiava da vitória, e Davi não: e por quê? Porque Saul media a Davi com o Gigante, e Davi media-se a si consigo mesmo: vede o que respondeu a El-Rei: Leonem, et ursum interfeci ego: erit igitur et Philisthaeus hic quasi unus ex eis[3]. Olha moço (dizia Saul a Davi, apontando para o Gigante) olha que aquele é mais que homem, e tu menino; aquele armado, e tu sem armas; aquele exercitado em batalhas, e tu sem exercício de guerra; olha e vê o que fazes, e o que empreendes. Já o tenho visto e considerado, responde Davi; porque eu não faço comparação de mim ao Gigante, senão de mim a mim: Leonem, et Ursum interfeci ego. Se Golias é Gigante, eu sou Davi; e quem tem desqueixado Ursos e Leões, também matará filisteus. Oh força do conhecimento de si mesmo! Considerai de uma parte todo o exército de Israel, da outra só Davi, e o Gigante em meio. Ali teme o Rei, temem os Capitães, temem os Soldados; aqui não teme Davi, antes zomba do inimigo, e não por outro motivo, senão porque eles, e ele se conheciam a si mesmos: eles atônitos e tremendo, porque se conheciam a si e a sua fraqueza; ele animoso e risonho, porque se conhecia a si e ao seu valor. No pensamento daqueles triunfava o Gigante; no pensamento deste triunfava Davi; e por isso triunfou com as mãos, porque já havia triunfado com os pensamentos: das obras grandes ou pequenas; das ações generosas ou vis, cada um traz na própria cabeça a verdadeira medida. Vede-o em quatro cabeças unidas e diferentes.

Aqueles animais do carro de Ezequiel, cada um tinha quatro cabeças em um só corpo: cabeça de homem, cabeça de águia, cabeça de leão, cabeça de boi: e que farão ou que fariam no mesmo corpo quatro cabeças com quatro fantasias tão diversas? Eu sou homem, eu sou águia, eu sou leão, eu sou boi: e que posso eu fazer, ou que se pode esperar que eu faça? Quê? Que cada qual daquelas cabeças, ainda que no mesmo corpo, produzem efeitos diferentes; e que todas saiam e se distingam com ações propriamente suas, e proporcionadas à fantasia de cada uma. Assim foi: a águia saiu com asas: Pennae eorum extensae desuper [4]; o homem saiu com mãos: Manus hominis sub pennis: o boi saiu com pés largos e fendidos: Planta pedis eorum, quasi planta pedis vituli: o leão saiu com um coração pronto e animoso, que não se via de fora, mas movia-se por dentro: Ubi erat impetus spiritus, illuc gradiebantur. Assim foi, assim é, e assim será sempre. O coração, os pés, as mãos, as asas, tudo vem da cabeça, que é o molde da própria fantasia. Se esta for de homem, as ações serão racionais; se de águia, altivas; se de leão, generosas; se de boi, vis.

II

Sendo pois o conhecimento de si mesmo, e o conceito que cada um faz de si uma força tão poderosa sobre as próprias ações; e sendo também o homem um composto pouco menos que quimérico, formado de duas partes tão distantes como lodo e divindade, ou quando menos um sopro dela; eu não sei na verdade como possa declarar ou definir ao homem o útil conhecimento de si mesmo. Se lhe digo que se conheça pela parte inferior e terrena, temo que um conceito tão baixo produza ações vis como em Adão; se pela parte superior e tão alta, temo que a mesma alteza de seu conhecimento degenere em inchação e soberba, como em Lúcifer. Aquele caiu porque não conheceu a sua nobreza: Homo, cum in honore esset, non intellexit[5]. Este caiu, porque a conheceu: Perdidisti sapientiam tuam in decore tuo[6]. E entre um e outro perigo, não sei qual dos dois precipícios seja o maior.

Dir-me-ão que posso e ainda devo seguir, como mais seguro, o exemplo dos que foram diante, e que considerando bem as suas pisadas, acharei que todas (como as que mostrou Daniel ao Rei idólatra)[7] nos deixaram estampadas em pó e cinza. Abraão: Loquar ad Dominum meum, cum sim pulvis, et cinis[8]. O Eclesiástico: Quid superbit terra et cinis?[9] Jó, tão ensinado em uma e outra fortuna: Comparatus sum luto, et assimilatus sum favillae et cineri[10]: e, o que é mais a mesma Igreja no primeiro dia deste tempo santo, com palavras tiradas da boca de Deus: Pulvis es, et in pulverem reverteris[11].

Confesso, senhores, que este é o caminho real, batido e plano, por onde guiaram ao conhecimento de si mesmo, os que melhor o conheceram, e se conheceram, cujas pegadas eu beijo e venero quanto merecem. Não posso porém deixar de dizer hoje que este modo de conhecimento próprio, posto que não louvável e pio, não se acomoda quanto eu quisera, nem com o meu juízo, nem com o meu auditório, e muito menos com o meu argumento: com o meu juízo não, porque eu faço um conceito mui alto do homem; e este conhecimento é mui baixo: com o meu auditório também não; porque o meu auditório é o mais nobre, o mais generoso, e o mais heroico, e este conhecimento é todo vil; nem finalmente com o meu argumento, porque o meu argumento, conforme ao Texto, é obrigado a ser mui limpo: Limpidissimos lapides; e este conhecimento não se pode sacudir do pó, nem lavar-se do lodo. Qual será logo no homem o limpo conhecimento de si mesmo? Digo que é conhecer e persuadir-se cada um, que ele é a sua alma. O pó, o lodo, o corpo, não é eu; eu sou a minha alma: este é o verdadeiro, o limpo e o heroico conhecimento de si mesmo; o heroico porque se conhece o homem pela parte mais sublime; o limpo, porque se separa totalmente de tudo o que é terra; o verdadeiro, porque ainda que o homem verdadeiramente é composto de corpo e alma, quem se conhece pela parte do corpo ignora-se, e só quem se conhece pela parte da alma se conhece. Não sei se saberei declarar-me. Assim como um espelho se compõe de aço e cristal, assim o homem se compõe de corpo e alma: e que sucederia a quem se visse, ou por um ou por outro lado? Quem olha para o espelho pela parte do aço, vê o aço, mas não se vê a si: quem olha pela parte do cristal vê ao cristal, e no cristal vê-se a si mesmo. Assim neste espelho da natureza humana, quem o olha pela parte térrea e opaca, que é o corpo, vê o corpo, mas não vê o homem: quem o olha pela parte celeste e luminosa, que é a alma, vê a alma, e na alma vê e conhece ao homem; porque vê e conhece o que ele é, e o que o distingue e enobrece sobre todas as criaturas da terra.

Agora se entenderá uma difícil consequência daquele lugar dos Cantares, tão escuro, como sabido: Si ignoras te, egredere[12]: Homem, se te ignoras, se te não conheces, sai fora. Eu bem sei que a causa de muitas ignorâncias é o não sair; o homem tanto sabe, quanto sai, e aqueles que não saíram, não sei como podem saber, se não for por ciência infusa, a qual ainda não basta. Das três Pessoas Divinas, só aquela que saiu, foi a Sabedoria: Exivi a Patre[13]: e saindo com três ciências, a divina, a beata, e a infusa, ainda adquiriu e aprendeu a experimental, que é a quarta: Didicit ex iis, quae passus est[14]. Não é logo muito, que ao homem que se ignora, se lhe mande que saia: Si ignoras te, egredere. Mas, donde há de sair? Do corpo, diz Santo Ambrósio: De corporalibus vinculis, de carnalibus integumentis[15]. Enquanto o homem não sai do corpo, ignora-se, e só quando sai dele se conhece. Os Santos dizem, que para que o homem se conheça, há de entrar em si mesmo; e este sair de si, é entrar em si; porque é sair do exterior do homem, que é o corpo, e entrar e penetrar o interior dele, que é a alma. Há de servir o corpo ao próprio conhecimento, como o aço no espelho serve à vista: o aço serve à vista; porque rebate e lança de si as espécies de quem se vê ao espelho; de maneira que o mesmo que impede o conhecimento direto, serve ao conhecimento reflexo. Assim é no homem o conhecimento de si mesmo: se para no corpo, ignora-se; se reflete sobre a alma, conhece-se; saia logo do corpo, e sacuda-se do pó, se quer conhecer-se: Si ignoras te, egredere.

E se alguém me perguntar a razão desta filosofia, porque o homem visto pela parte do corpo se ignora, e visto ou considerado pela parte da alma se conhece; a razão clara e fácil (posto que pareça injuriosa) é, porque quem vê o corpo, vê um animal; quem vê a alma, vê ao homem. Não é distinção, ou palavras minhas, antes as palavras e sentido, e a distinção, tudo é da Escritura Divina. Estava Daniel no lago dos leões, e quando depois escreveu a sua história, diz que todos os dias se davam ali a dois leões dois corpos: Dabantur eis duo corpora quotidie[16]. Passemos agora de Babilônia a Canaã. Tratando ali El-Rei Bará da repartição de certos despojos, disse a Abraão que lhe desse só as almas, e que o mais lhe ficasse: Da mihi animas, caetera tolle tibi [17]. Já temos no Texto sagrado as almas, e corpos: mas que corpos, e que almas eram estas? O mesmo Texto o diz. Os corpos eram os animais, que cada dia se davam por pasto aos leões; as almas eram os homens, que Abraão vencedor tinha libertado do cativeiro dos inimigos, e não só no sentimento comum do juízo humano, senão na propriedade da história sagrada, os animais chamam-se corpos, e os homens almas, porque o caráter que distingue o animal do homem, e o homem do animal, é, que o animal é corpo, e o homem alma. Verdade é, que o homem e o animal, cada um por seu modo, é composto de alma e corpo: mas como a alma do animal é corpórea, e a alma do homem espiritual; o animal ainda que tenha alma, é corpo: Dabantur eis duo corpora; e o homem ainda que tenha corpo, é alma: Da mihi animas.

E porque não pareça que me fundo só em palavras, vamos ao fato; e seja a experiência em uma das maiores almas, e em um dos maiores homens que houve, nem haverá, S. Paulo. Scio hominem in Christo, sive in corpore, sive extra corpus nescio, Deus scit; scio hujusmodi hominem, quoniam raptus est in Paradisum[18]. Eu sei um homem (diz S. Paulo falando de si mesmo), o qual foi arrebatado e levado ao Céu: mas se este homem foi levado ao céu em corpo, ou sem corpo, isso não o sei eu, sabe-o Deus. Até aqui o Apóstolo: e creio, que ninguém haverá deixado de reparar muito no que diz, e no modo com que o diz. Duas coisas diz S. Paulo, uma que afirma, outra que duvida; uma que sabe, outra que não sabe. Diz que sabe, que aquele homem foi levado ao Céu, e diz que não sabe se foi levado em corpo, ou fora do corpo: Sive in corpore, sive extra corpus nescio. Pois se duvida e não sabe se o corpo foi, ou não foi levado ao Céu; como diz e afirma, que sabe que foi levado ao Céu o homem: Scio hujusmodi hominem, quoniam raptus est in Paradisum? Não sabe que fosse levado o corpo, e sabe que foi levado o homem? Sim; porque sabia Paulo certissimamente, e sem dúvida nenhuma, que a sua alma fora levada ao Céu, ainda que ignorava se fora unida, ou apartada do corpo; e uma vez que sabia que foi levada a alma, sabia que foi levado o homem; porque o homem é a alma: se a alma foi levada in corpore, era homem com corpo; se foi levada extra corpus, era homem sem corpo; mas ou com corpo ou sem corpo, sempre homem, e o mesmo homem: Scio hujusmodi hominem.

Se perguntarmos a Jó que coisa é o corpo responderá, que é um vestido do homem: Pelle et carnibus vestisti me[19], e como o homem vestido, e não vestido, é o mesmo homem; assim Paulo, ou em corpo, ou sem corpo, era o mesmo Paulo. Quando Elias foi arrebatado ao Céu ao princípio levava a sua capa aos ombros, depois ficou sem capa; porque a lançou a Eliseu: do mesmo modo S. Paulo no seu rapto, se foi in corpore, era Elias com capa; se foi extra corpus, era Elias sem capa: mas como Elias, ou com capa, ou sem capa, era o mesmo Elias; assim Paulo, ou com corpo, ou sem corpo, era o mesmo Paulo e o mesmo homem: Scio hujusmodi hominem, sive in corpore, sive extra corpus, quoniam raptus est in Paradisum.

III

Provado assim o meu argumento, e tão bem recebida, como vejo, a prova, ainda me parece ouço arguir algum escrupuloso douto, que esta doutrina de ser o homem alma, quando menos, sabe a seita e erro de Platão, e que a sua mesma prova, se a interpretação é verdadeira, faz também Platônico a S. Paulo: porém eu estou acostumado a temer tão pouco a semelhantes instâncias, que para que esta mereça a resposta, quero primeiro dar-lhe novas forças, e essas tiradas do mesmo S. Paulo. Os Platônicos diziam que o corpo não é outra coisa que um vestido tecido de carne e ossos, um vaso de barro, uma casa portátil, e um servo, ou escravo do homem, não obediente, mas rebelde: e tudo isto diz também S. Paulo: diz que é vestido: Nolumus expoliari, sed supervestiri[20]; diz que é vaso de barro; Habemus thesaurum in vasis fictilibus[21]; diz que é casa portátil: In hoc tabernaculo ingemiscimus[22]; diz finalmente que é escravo: Castigo corpus meum, et in servitutem redigo[23]. E para que se veja quanto o Apóstolo distingue o corpo do homem e de si mesmo, exclama: Infelix ego homem, quis me liberabit de corpore mortis hujus?[24] Ai de mim, homem infeliz! Quem me livrará deste corpo mortal: Me de corpore? Diz a mim do corpo; logo Paulo não é corpo, senão uma coisa o corpo, e outra Paulo, como o cárcere e o que está preso nele? Pois se Paulo e Platão dizem o mesmo, como é verdadeira e divina a Teologia de Paulo, e falsa e herética a Filosofia de Platão?

Aqui vereis como as mesmas proposições Católicas e Divinas podem parecer erros, se se interpretarem contra ignorância a mente de quem as diz, ou por ignorância, ou por malícia; crer e entender que o corpo não é parte do homem, é erro de Platão; estimar o corpo e tratar o corpo, como se não fora parte do homem, é Teologia de S. Paulo, e sabedoria do terceiro Céu. Isto é o que ele disse e o que fez sempre: tratava São Paulo o seu corpo, como se não fora parte sua, senão um escravo rebelde, e como tal o castigava, e domava a açoites: Castigo corpus meum, et in servitutem redigo; estimava o seu corpo, não como parte sua, senão como um cárcere penoso, escuro, e hediondo, mais terrível que a mesma morte, e como tal suspirava por se desapegar, e livrar-se dele: Quis me liberabit de corpore mortis hujus? Trazia o seu corpo às costas, não como parte própria, que não pesa, mas como uma carga insuportável, e uma casa portátil pesadíssima; e como tal não morava nela, mas gemia debaixo dela: In hoc tabemaculo ingemiscimus. Andava cercado e coberto do seu corpo, como de vestido, que não é parte, nem carne própria, senão lã e fábrica alheia: e assim as afrontas e feridas que recebia nele, levava-as tão levemente, como se só lhe tocaram na roupa; repreendendo aos que não querem despir-se do mesmo corpo e das suas paixões e apetites: Nolumus expoliari, sed supervestiri. Finalmente, estimava só a alma como tesouro próprio, e único; e do corpo, como se não fora seu, fazia tão pouco caso, como de um vaso de barro vil e frágil: Habemus thesaurum in vasis fictilibus. Esta é a doutrina de S. Paulo, esta a minha.

Nem me diga a Gramática crítica de algum Teólogo, que todo este discurso se resolve em uma sinédoque do Apóstolo, como se chamasse alma ao homem, tomando a parte pelo todo. Este jogo de palavras não é de matéria tão grave e tão séria. Quando S. Paulo (e eu com ele) chama homem à alma, não fala da parte do homem, senão de todo o homem; mas não do homem físico e natural, senão do homem moral, a quem ele queria instruir e formar[25], bem assim como em outro lugar distingue no mesmo homem dois homens; a constituição do homem moral é mui diversa da composição do homem natural: o homem natural compõe-se de alma e corpo; o homem moral constitui-se ou consiste só na alma. De maneira que, para formar o homem natural, há-se de unir a alma ao corpo; e para formar ou reformar o homem moral, há-se de separar a alma do corpo. Isto é o que digo, e o que quisera persuadir; e não me creais a mim, senão a Deus, por boca de Jeremias: ouvi um grande Texto.

Fala Jeremias da diferença da alma e corpo, como notou em muitos lugares São Crisóstomo; e instruindo o Profeta ao bom Pregador, lhe diz assim em nome e pessoa de Deus: Si separaveris pretiosum a vili, quasi os meum eris[26]: Tu que tens ofício de ensinar homens, se separares o precioso do vil, isto é, a alma do corpo será a tua boca como a minha. Todos estais vendo a dificuldade desta sentença. Que fez a boca de Deus com o corpo e alma do homem? Jazia no Campo Damasceno aquela estátua de barro, que depois se chamou corpo de Adão. Chegou Deus a ela, assoprou-a, e com a respiração de sua boca lhe infundiu e uniu a alma, e por meio desta união da alma ao corpo, foi feito e formado o homem: Inspiravit in faciem ejus spiraculum vitae, et factus est homo in animam viventem[27].

Pois se a boca de Deus fez e deu ser ao homem, unido o precioso ao vil, isto é, a alma ao corpo; como diz o mesmo Deus, que será como a sua boca, não o que unir, senão o que separar a alma do corpo, e o precioso do vil: Si separaveris pretiosum a vili, quasi os meum eris? A razão e diferença é, porque falava aqui Deus da formação, não do homem natural, senão do homem moral: aquela é composta, esta é simples; aquela consiste na união do precioso com o vil, e do corpo com a alma; esta na separação; aquela é alma e corpo, esta é só alma; e desta diferença de ser a ser, e de homem a homem, nasce a semelhança da boca de Deus com a boca do Pregador; como instrumento da graça forma ao homem separando a alma do corpo; por isso lhe diz Deus, que será como a sua boca, se dividir o que ele uniu, e separar o precioso do vil: Si separaveris pretiosum a vili, quasi os meum eris.

IV

Senhores meus, separemos o precioso do vil: separemos como S. Paulo ao homem do vestido, ao senhor do escravo, ao morador da casa, ao preso do cárcere, ao tesouro do barro, enfim ao corpo da alma: entendamos todos, e diga-se cada um a si mesmo: Eu sou a minha alma; este é o nobre, o limpo, o heroico e verdadeiro conhecimento de si mesmo. Se com verdade me dizem que sou pó, porque o meu corpo foi pó em Adão, e há de ser pó na sepultura, ainda que de presente o não seja, por que não direi eu com igual e maior verdade, que sou alma, porque o fui, porque o hei de ser, e porque o sou? Separemos logo o precioso do vil; e vivamos como almas separadas. As nossas almas todos sabem que têm dois estados, um nesta vida de alma unida ao corpo, outro depois da morte, que é e se chama de alma separada. Este segundo estado é muito mais perfeito; porque, livre a alma dos embaraços e dependências do corpo, obra com outras espécies, com outra luz, com outra liberdade, com outra nobreza; enfim como desatada e descarregada daquele peso e daquela vil companhia, que sempre a faz tirar ao baixo; se a morte há de fazer por força esta separação, por que a não faremos nós por vontade? Por que não fará a razão desde logo, o que a morte há de fazer depois? Oh que vida! Oh que obras seriam as nossas tão outras do que são! Porque nos parece que faziam os Santos obras tão maravilhosas, senão porque viviam como almas separadas, unidas ao corpo, mas independentes do corpo: In carne, non secundum carnem?[28] Por isso eram neles tão heroicas, tão fidalgas, e tão limpas as ações, que em nós são tão cheias, ou totalmente de lodo, ou quando menos de pó.

Eu não pretendo negar ao pó a piedade e o útil de seu conhecimento, só quero que nos estimemos pela parte mais nobre, para que também o sejam as nossas obras, pois são filhas (como dissemos) da estimação e conceito que cada um faz de si mesmo. Todas as vezes que Deus quis que os homens fizessem coisas grandes, mudou-lhes os conceitos; o conceito baixo e humilde que tinham de si, em conceitos altos e generosos. Quis Deus que Gedeão triunfasse dos exércitos inumeráveis dos Madianitas; e que fez? Quando ele tinha tão baixo conceito de si, que estava prevenindo a fugida, mandou-lhe dizer Deus por um anjo que era o mais valente de todos os homens: Dominus tecum, virorum fortissime[29]. Estime-se fortíssimo, o que se tem por fraco, e fará façanhas tão incríveis como as de Gedeão. Quis Deus que Jeremias mudasse e tirasse Coroas; fizesse e desfizesse Reinos; derrubasse e plantasse Monarquias: e que fez também? Quando ele tinha tão desigual opinião de si, que se estimava por um menino, e como tal se escusava, repreendeu-lhe o mesmo Deus o encolhimento e covardia daquele conceito e disse-lhe: Noli dicere, puer sum: quoniam ad omnia, quae mittam te, ibis[30]. Não pode fazer, nem empreender obras grandes, quem se conhece, e se estima pequeno: se isto parece humildade, é bastarda; se aquilo parece soberba, é santa. Humilis ad merita, superbus ad vitia[31], disse Eusébio Emisseno falando de S. Máximo: não é soberba estimar-se para não fazer baixezas, descuidar-se do pó para se lembrar de si, e conhecer-se alma, para obrar como Anjo.

Uma só coisa acho de bem na consideração e conhecimento do pó; ser motivo e incentivo para o perdão, como o foi para a fraqueza. Por que perdoou Deus ao homem e não ao Anjo? Pela fragilidade e miséria do nosso barro: Quoniam ipse cognovit figmentum nostrum, recordatus est quoniam pulvis sumus[32]: Conheceu Deus, diz o Profeta, a matéria frágil do nosso corpo, e lembrou-se que somos pó. Notai muito aquele ipse cognovit, et recordatus est. O conhecimento e memória do pó é bom da parte de Deus para o perdão de nossas fraquezas; mas da nossa parte é melhor o esquecimento do pó, e o conhecimento da alma, para incentivo do valor e das obras heroicas e generosas. Do corpo foi princípio e é fim o pó; da alma foi princípio e é fim Deus: e como as obras nascem de seus princípios e caminham a seus fins, só obrará heroicamente, quem trouxer diante dos olhos do seu conhecimento, não o vil princípio e fim de seu corpo, senão o princípio e fim altíssimo de sua alma. As maiores e mais heroicas obras, que jamais se obraram no mundo, foram as de Cristo; e entre todas as obras de Cristo, as maiores e mais heroicas foram as do fim de sua vida; pôs-se em campo Cristo naquela última batalha, só, e desarmado, contra o mundo, contra a morte, contra o pecado, contra o inferno; e só, e despido venceu em um dia, e triunfou gloriosamente de tudo; mas com que conhecimento de si mesmo vos parece que entrou aquele fortíssimo Capitão em um tão estranho e dificultoso conflito? Disse-o e notou-o com particular advertência S. João: Sciens quia a Deo exivit, et ad Deum vadit[33]. Sabendo (diz) que o seu princípio e o seu fim era Deus. Notai. Em Cristo, como verdadeiro filho de Adão, não só concorria este princípio e fim nobilíssimo, que é Deus pela parte da alma, senão também o outro princípio e fim da extrema baixeza, que é o pó pela parte do corpo: e naquele termo preciso, em que ia a morrer, parece que devia levar mais diante dos olhos o princípio, e fim do pó, como em seu nome havia dito Davi: Et in pulverem mortis deduxisti me[34]. Pois por que não entrou Cristo na batalha com este pensamento, e com este conhecimento, senão com o contrário? Porque as ações últimas de sua vida convinha que fossem, e haviam de ser as mais gloriosas e as mais heroicas; e para obrar gloriosa e heroicamente enquanto homem, esqueceu-se totalmente o seu generoso espírito do princípio e fim do mesmo corpo, em que padecia; e só cuidava e tinha sempre firme na mente o princípio e fim da sua alma, donde veio e para onde ia: Sciens quia a Deo exivit, et ad Deum vadit.

Este sciens ó Roma, este sciens, e este alto conhecimento de nós mesmos, ó Senhores, é aquele que eu vos prego hoje; não o princípio e fim do corpo, que é terra, senão o princípio e fim da alma, que é Deus: o corpo saiu da terra e vai para a terra: Terra es, et in terram ibis[35]: a alma saiu de Deus, e vai para Deus: A Deo exivit, et ad Deum vadit. E este é o conhecimento que devemos trazer sempre no pensamento, e revolver altamente na memória. Vede quanto vai de princípio a princípio, de fim a fim, e de conhecimento a conhecimento. Entre bem este sciens, e penetre a cabeça do nosso Gigante; e ainda que ele, como a estátua ou colosso de Nabuco, tenha os pés de barro, eu vos prometo, que uma vez entrado de um tão alto conceito de si mesmo, este será bastante para mudá-lo e transformá-lo todo de pés à cabeça. O colosso, ou a estátua de Nabuco teve duas transformações, não notadas, mas notáveis; uma com que se transformou toda em pó, outra com que se transformou toda em ouro. Transformou-se toda em pó, quando a pedra caída do monte lhe tocou os pés de barro, e a desfez; transformou-se toda em ouro quando depois de desfeita a mandou Nabuco fabricar de novo, não dos mesmos metais vários de que era composta, senão toda de ouro: Fecit statuam auream[36]. E qual foi a causa desta segunda transformação, tanto mais nobre e tanto mais rica? Não foi outra, que um novo conhecimento que teve Nabuco, e um alto conceito que fez de si mesmo. Interpretou Daniel a Nabuco os membros e metais da estátua, e disse-lhe que ele era a cabeça de ouro: Tu es ergo caput aureum[37]. E logo que Nabuco teve este tão novo e alto conhecimento de si mesmo; logo que conheceu que ele era a cabeça de ouro, no mesmo ponto toda a estátua foi de ouro: Fecit statuam auream. O barro dos pés transformou-a toda em pó, o ouro da cabeça transformou-a toda em ouro.

Espíritos Romanos e generosos: se quereis estátuas no Capitólio, ou deste, ou do outro mundo, sabei que na própria cabeça tendes a mina dos metais: se vos conhecerdes como corpo, toda a estátua será de pó; se vos conhecerdes como alma, toda a estátua será de ouro; conhecei-vos altamente, e isto basta.

V

Tenho acabado o meu discurso, e só vejo me poderão dizer contra ele, que pus o conhecimento de si mesmo em uma coisa que se não conhece: é verdade que nós nesta vida não conhecemos a nossa alma, como é em si mesma, ou quidditative, como falam as escolas: mas porque a alma se não conhece a si, por isso mesmo se pode conhecer melhor: não quis Deus que o homem tivesse próprias espécies de sua alma, porque pertencia à dignidade de uma criatura tão nobre e tão aparentada com Deus, que assim como Deus nesta vida se conhece por fé, assim se conhece por fé também a alma. Não digo que a alma se não conhece naturalmente nesta vida, mas quando se conhece naturalmente, é também como Deus pelos efeitos: conhecer a Deus e a alma em seu próprio ser e substância, é felicidade e ciência reservada para a outra vida: e a razão é, porque como a alma é uma imagem perfeitíssima de Deus, só à vista do original se pode conhecer perfeitamente a cópia. Oh grande perfeição da alma, que não se haja de ver em outro espelho que no da face de Deus!

Andai agora a estimar o corpo, a servir o corpo, a admirar o corpo, a idolatrar o corpo! Mas o corpo se estima, se serve, se admira, se idolatra; porque devendo o homem ser alma, as almas hão degenerado a ser corpo. Não era todo corpo a alma daquele que falando com a sua lhe dizia: Anima mea habes multa bona posita in annos muitos, requiesce, comede, bibe et epulare[38]: Alma, tens muitos bens, e para muitos anos, descansa, come, bebe, regala-te? A alma que havia de comer e beber, vede se estava transformada em corpo; mas não tardou muito Deus em vingar a nobreza da alma de uma injúria tão brutal: Stulte, hac nocte repetunt animam tuam a te[39]. Na mesma noite lhe tirou Deus a alma vil e degenerada, para que só ficasse o corpo de quem todo era corpo.

Visitando uma noite Alexandre os seus arraiais, achou uma sentinela dormindo, e matou-a; e, perguntado pela causa, respondeu: Qualem inveni, talem reliqui: Qual a achei, tal a deixei. Assim faz Deus quando acha homens que não são mais que corpo; para os deixar quais os acha, tira-lhes a alma e a vida subitamente: Hac nocte. Oh quanto se pode temer, que seja esta a causa de tantas mortes repentinas, quantas se vêem nestes dias, e não se choram quanto devem! E porque não se defenda alguém com dizer que aquele exemplo foi singular; lembrai-vos do Dilúvio, e da causa dele. Afogou Deus o mundo, tirando a vida a todo o gênero humano de um golpe; e qual cuidais que foi a razão? O mesmo Deus que deu a sentença, declarou a culpa: Non per manebit spiritus meus in homine, quia caro est[40]: Porque não havia na corrupção daquele tempo homem que tivesse alma, todos, e tudo era corpo: Quia caro est; mais diz ainda, e pior soa caro, que corpo: queira Deus que não seja o nosso século hoje, como foi então o de Noé: tem chegado o mundo a tão infeliz estado nesta matéria, que se a palavra de Deus e o arco do céu nos não segurara, se podia temer outro dilúvio. Mas Deus pode fazer dilúvios com todos os elementos: no ar há pestes, no fogo incêndios, na terra terremotos, que já começam a sorver Cidades inteiras, não falando nos dilúvios de sangue com que o inimigo comum e vizinho, e as veias dos mesmos mortos nos ameaçam.

Almas, almas, vivei como almas: se conheceis que a alma é racional, governe a razão, e não o apetite; se conheceis que é imortal, desprezai tudo aquilo que morre e acaba: se conheceis que é celeste, pisai e metei debaixo dos pés tudo o que é terra. Finalmente, se conheceis que é divina, amai, servi, louvai, e aspirai só a Deus: este é o verdadeiro conhecimento de si mesmo, e esta a primeira pedra do nosso Davi; mas se ela não bastar, ainda lhe ficam no surrão outras quatro.

Notas
[1] [1Rs 17:40] [E tomou o seu cajado na mão, e escolheu para si cinco seixos do ribeiro, e pô-los no alforge de pastor, que trazia, a saber, no surrão, e lançou mão da sua funda: e foi-se chegando ao filisteu.]
[2] Sl 39:6 [Senhor, Deus meu, tens feito muitas obras maravilhosas, e não há quem te seja semelhante nos teus desígnios para conosco. Eu queria narrá-los e proclamá-los, mas são demasiadamente numerosos para que se possam contar.]
[3] 1Rs 17:36 [Assim, feria o teu servo o leão como o urso; assim será este incircunciso filisteu como um deles; porquanto afrontou os exércitos do Deus vivo.]
[4] Ez 1:7 [1:7-8] [E os seus pés eram pés direitos; e as plantas dos seus pés, como a planta do pé de uma bezerra, e luziam como a cor de cobre polido. E tinham mãos de homem debaixo das suas asas; aos quatro lados; e assim todos quatro tinham seus rostos e suas asas.]; Ez 7:11 [E os seus rostos e as suas asas eram separados em cima; cada qual tinha duas asas juntas uma à outra, e duas cobriam os corpos deles.]
[5] Sl 48 [48:21] [O homem que vive na opulência e nada reflete, é semelhante às alimárias que perecem.]
[6] Ez 28 [28:17] [Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti.]
[7] Dn 24:19 [14:19] [E o rei, disse: Vejo pegadas de homens, e de mulheres, e de crianças. E o rei irritou-se.]
[8] Gn 18:27 [E respondeu Abraão, dizendo: Eis que, agora, me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.]
[9] Ecl 10:9 [Não há coisa mais detestável do que o avarento. Por que se ensoberbece a terra e a cinza?]
[10] Jó 30:19 [Lançou-me na lama, e fiquei semelhante ao pó e à cinza.]
[11] Gn 3:19 [No suor do teu rosto, comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás.]
[12] Ct 1:7 [1:8] [Se tu o não sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas das ovelhas, a apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores.]
[13] Jô 17:28 [17:11] [E eu já não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.]
[14] Hb 5:9 [n.l.]
[15] Ambros. Do Isaac et anima.
[16] Dn 14:31 [Havia no lago sete leões, e todos os dias lhe davam dois cadáveres e duas ovelhas; mas por então não lhos deram, a fim de que devorassem Daniel.]
[17] Gn 14:21 [E o rei de Sodoma disse a Abraão: Dá-me a mim as almas e a fazenda toma para ti.]
[18] 2Cor 12:2 [Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos (se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus o sabe), foi arrebatado até ao terceiro céu.]
[19] Jó 10:11 [De pele e carne me vestiste e de ossos e nervos me entreteceste.]
[20] 2Cor 5:4 [Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados, não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.]
[21] 2Cor 4:7 [Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós.]
[22] 2Cor 5:4 [Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados, não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida.]
[23] 1Cor 9:2 [9:27] [Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha d’alguma maneira a ficar reprovado.]
[24] Rm 7:14 [7:24] [Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?]
[25] 2Cor 4:16 [Por isso, não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.]
[26] Chrysost. Homil. 3. in Gen. Orat. 5 contra judaeos.
[27] Gn 3:4 [2:7] [E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi em alma vivente.]
[28] Rm 8:4 [Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.]
[29] Jz 6:12 [Então, o Anjo do Senhor lhe apareceu e lhe disse: O Senhor é contigo, varão valoroso.]
[30] Jr 1:7 [Mas o Senhor me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás.]
[31] Serm. de S. Máximo.
[32] Sl 102:14 [Porque ele sabe bem de que somos formados, lembra-se que somos pó.]
[33] Jo 13:13 [Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus, e que ia para Deus.]
[34] Sl 21:16 [A minha garganta secou-se como barro cozido, e a minha língua pegou-se ao meu paladar; e me reduziste ao pó da morte.]
[35] Gn 2, juxta 7.
[36] Dn 3:1 [O Rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, cuja altura era de sessenta côvados, e a sua largura, de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia.]
[37] Dn 2:38 [E, onde quer que habitem filhos de homens, animais do campo e aves do céu, ele tos entregou na tua mão e fez que dominasses sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro.]
[38] Lc 12:29 [Lc 12:19] [E direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos: descansa, come, bebe e folga.]
[39] Lc 12:20 [Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?]
[40] Gn 6:3 [Então, disse o Senhor: Não contenderá o meu espírito para sempre com o homem, porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos.]

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